O Poema da Raiva
Enquanto ri das lágrimas alheias, há quem já saiba.
Acha-te tão esperto, tão a altura. Basta! Besta.
Quem és? Ninguém. E gostas disso: aprecias sofrer.
Bastardo. Ridículo. Quam sabe não gostarás destes elogios também?
Comparo-te fácil com milhares. Fingidos, todos. Básico. Bobo.
Agulha para aliviar-se e enquanto deverias sentir vergonha, ri-se.
Mas não te enganes: é um riso amargo que nunca te fará feliz.
Há de entender um dia que és mesmo incomparável: ri sem graça.
Esses bobinhos que choram por ti hoje, amanhã felizes estarão.
E assim como eu que nunca precisei chorar, rirão.
Percebes que vida inútil tens? Nem cem anos glória te trarão.
Realismo. Realidade. Real. Caçoe todos, abençoe a solidão.
Escrito em 19/12/08.
Simone Schuck às 23:56
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