domingo, 2 de outubro de 2011

"O Tempo e os Conways" - J. B. Priestley

Apresentações: 13 e 14 de Junho de 2011

O texto de J. B. Priestley, datado de 1937, utiliza o recurso do vai-e-vem temporal para fazer uma incursão sobre o envelhecimento: a jovem Kay, no dia de seu aniversário, ambientado em 1919, prevê o futuro, vinte anos depois, vislumbrando como se transformam as pessoas que a rodeiam. Esse movimento possibilita ao autor jogar com as duas faces de cada figura, estabelecendo interessante diagnóstico sobre as personalidades.

Os Conways são gente simples, ainda que ricos, e possuem traços que toda família classe média possui, razão das identificações que o "espetáculo" buscou captar. Exemplo de um teatro realista que facilmente poderia dar a impressão de desgastado, O Tempo e os Conways evidencia como o apuro técnico e artístico nos desempenhos ajuda a ultrapassar a barreira da temporalidade e projetar no presente um enredo capaz de prender o espectador. O exercício de interpretação deu início a um caminho de aprendizado, de errar e aprender com os erros. Nos deu uma noção de coletivo para que possamos dar continuidade ao longo de nossas carreiras, principalmente para aqueles que pretendem segui-la.
Que venham as próximas e que sejam sempre melhores!

Direção: Fernando Nitsch
Escola Teatro Escola Célia Helena

Amor de Perdição - Camilo Castelo Branco

Trecho de "Amor de Perdição" - Camilo Castelo Branco
(...)As onze horas em ponto estava Simão encostado á porta do quintal, e a distância convencionada o arreeiro com o cavalo à rédea. A toada da música, que vinha das salas remotas, alvoroçava-o, porque a festa em casa de Tadeu de Albuquerque o surpreendera. No longo termo de três anos nunca ele ouvira música naquela casa. Se ele soubesse o dia natalício de Teresa, espantara-se menos da estranha alegria daquelas salas, sempre fechadas como em dias de mortório. Simão imaginou desvairadamente as quimeras que voejam, ora negras, ora translúcidas, em redor da fantasia apaixonada. Não há baliza racional para as belas, nem para as horrorosas ilusões, quando o amor as inventa. Simão Botelho, com o ouvido colado à fechadura, ouvia apenas o som das flautas, e as pancadas do coração sobressaltado(...)