segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Assistindo a morte

Esse é um tema que detesto colocar em pauta, principalmente num recurso que criei para que fosse de uso leve e descontraido, mas se há uma coisa que ainda me assusta, apesar de todas as crenças, convicções e pq não dizer "achismos" que tenho, essa "coisa" se chama morte. Não gasto muito tempo tentando entender pra onde vamos, se sofremos, se apagamos ou renascemos, apesar de querer acreditar na última teoria (e de fazer meu TCC há alguns anos atrás com esse tema), mas ela é mais questionada por mim do que a própria vida (que tambem é misteriosa em certo ponto). O engraçado é que não penso na minha própria morte, já pensei sim, como todo mundo pensa um dia, mas questiono principalmente a morte alheia, de pessoas próximas e queridas. Sem querer, me pego viajando nas possibilidades e nas mais loucas criações (da minha imaginação) e quem me garante que elas não fazem sentido? Pelo menos pra quem quer acreditar que apesar da dor, está tudo bem. A minha indignação na verdade, se é que posso dizer assim, é o ritual a que todos, ou pelo menos grande parte da população já presenciou que é o velório e o funeral em seu sentido completo. Pq ainda cultuamos um corpo morto? Seria esse ritual necessário ou apenas cultural? Seja lá o que for, não entendo desde criança pq temos que "admirar" o corpo de quem já não respira, não pensa, não está alí. Isso sempre foi pra mim uma prolongação da dor, instantes eternos para que a faca que já está no peito, seja enterrada ainda mais, com requintes de crueldade. Isso não é um desabafo e sim um questionamento, não quero e nem tenho a pretenção de mudar a história e o estilo de velar os mortos ou até levantar a bandeira para o fim disso tudo, me questiono tambem ao fato de comparecer ou não a esses rituais dolorosos, que diferença faz? Será que pega mal perante a sociedade? O amor vai mudar? É uma forma de respeito e última homenagem? Talvez seja tudo isso junto, mas pra mim ainda não serve como conclusão e tampouco me ajuda a encarar essas coisas com mais naturalidade partindo do primeiro instante (o de não saber o que dizer nessas horas, por exemplo). Vi tantas pessoas, conhecidas, amadas, ou não, limitadas num espaço ridículo de um caixote de madeira, fino ou sem luxo algum, sem nada pra oferecer em troca, simplesmente prostradas a mercê da compaixão alheia, da pena, do sofrimento. São horas que não acabam, são instantes de agonia e de apreensão ininterrupta. Daqui pra frente vou tentar poupar meu sofrimento e tentar manter quem eu amo da maneira mais viva na minha cabeça possível, vou tentar não guardar uma fisionomia apática e evitar pensar que o sangue que algum dia correu pelas veias das pessoas queridas, coagulou e que a carne congelou. Me desculpem o papo mega pesado, mas senti vontade de falar sobre isso agora e tentar compartilhar com meus amigos a minha dor de mais uma vez perder uma pessoa querida que teve uma presença (viva) que nunca, jamais vou esquecer. A única pessoa que até hoje, vi morrer de amor. Descanse em paz tia querida, vou pensar em vc como sempre foi e tentar apagar da cabeça o que vc deixou de ser. Te amo!

Quero vc viva na minha memória, nas minhas doces lembranças, pq tenho que ver seu rosto congelado e seu semblante distante? Quero as pessoas vivas, perto ou longe, aqui ou seja lá onde for!

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